segunda-feira, 26 de maio de 2008

Lacre polêmico


A Cervejaria Petrópolis  tentou, há algum tempo, sacudir o mercado das cervejas e lançou como estratégia de marketing o lacre nas latinhas de alumínio das suas bebidas. A iniciativa valeu e ajudou a empresa a atingir 8,6% de participação de mercado. O recente anúncio do Grupo Schincariol, que também adotará o lacre em toda a sua linha de produção, reaqueceu o debate sobre a medida. 
As controvérsias apareceram desde que o Sindicato Nacional da Indústria da Cerveja e Associação Brasileira da Indústria de Refrigerantes (Abir) contestaram o benefício proporcionado pelo lacre mediante estudos elaborados pelo Centro de Tecnologia da Embalagem (Cetea), entidade sem fins lucrativos e mantida por empresas privadas. Por ordem judicial, a campanha alerta para o fato de o lacre de alumínio não ser garantia de higiene e recomendar que o consumidor limpe a lata antes de beber, está fora do ar desde o começo do ano. Por outro lado, os advogados da Petrópolis, que entraram com o recurso na Justiça solicitando a retirada da peça de propaganda e ganharam a liminar favorável, se apóiam em um estudo do laboratório de Biologia da Universidade de São Paulo (USP) que aponta vantagens de limpeza no uso do lacre.
A Ambev também se mostra contrária ao uso do selo, por acreditar que ele não agrega nenhuma vantagem nem para o consumidor nem para a empresa. Fato é que para lacrar suas latinhas, as cervejarias têm de comprar máquinas seladoras, que têm um ritmo de produção inferior ao das engarrafadoras. Enquanto as primeiras selam entre 50 e 60 mil latas por hora, as outras engarrafam 140 mil latas. Segundo o Sindicerv existem 50 projetos de lei na Assembléia Legislativa de vários Estados, propondo a obrigatoriedade do uso do lacre nas latas de cerveja. Agora é aguardar o desfecho nos meses vindouros.

Fontes: 


segunda-feira, 19 de maio de 2008

Choose beer!

Das dores e goladas crônicas


Por Victor Uchôa, em 16.05.2008, de Braga/Portugal

 

Então eu fui surpreendido com um e-mail de Juliana Kalid, grande amiga que, para o seu novo blog, pedia uma crônica sobre minha relação com a cerveja na Europa. A surpresa não reside em ter que discorrer sobre tão querida matéria. A surpresa está em alguém pedir uma crônica a mim, que de crônica, só entendo da dor no calcanhar esquerdo que me acompanha há anos.

Porém, perseverante, tento. Daí, lembro do primeiro gole que tomei após cruzar o Atlântico, há oito meses: Super Bock, marca portuguesa. Ali, redefini conceitos para me adequar à nova vida. A cerveja européia tem mais álcool e por aqui se bebe, majoritariamente, cerveja tipo Ale, ou variações do tipo Lager com algumas diferenças em relação à Lager Pilsen, de maior consumo no Brasil.

Caberia uma explicação sobre a diversidade do processo químico de produção e fermentação de tantos tipos de cerveja, mas minhas notas de Química sempre foram péssimas e o Google está aí é pra isso mesmo. Foco essa ladainha no ritual da mesa de bar, o melhor lugar do universo para se jogar conversa fora.  

Existem algumas diferenças básicas entre “tomar uma” no Brasil e na Europa. Pra quem nasceu nos trópicos, talvez a mais marcante seja a temperatura, do ambiente e do precioso líquido. Não importa quão frio esteja, brasileiro gosta de cerveja gelada. Europeus contentam-se com a temperatura cházica.

Pior do que isso, só o fato de que no Velho Mundo é impossível tomar alguns goles petiscando o que deve obrigatoriamente ser petiscado com cerveja: carne do sol com mandioca, caranguejo, camarão ao alho e óleo e acarajé cortadinho com vatapá, dentre outras iguarias que tanto fazem falta nessa banda do planeta.

Não importa se estudante quebrado ou membro do Parlamento Europeu de Bruxelas, quem sentar numa mesa de bar na Europa, na praia, na montanha ou na cidade, dificilmente achará algo diferente de um sanduíche de frango ou um misto quente. É o fim do mundo.

Mas esses empresários sem visão empreendedora ganham o que merecem. Pelo menos eu e meus amigos fazemos nossa parte na tarefa de transformar a Europa num lugar melhor pra se viver. Em cada bar que sentamos, a primeira ação é avaliar as formas viáveis de sair dali com a maior quantidade possível de copos. E assim, já não sei como levarei tantos no meu retorno para o Brasil.

Fato é que quanto mais saborosa a cerveja, mais legal é o copo, o que nos leva à velha discussão sobre a melhor cerveja do mundo, muito comum na Europa. As belgas Stella Artois e Leffe e a irlandesa Guinness são referências recorrentes. Todas ótimas, atesto. Mas na minha humilde opinião, um barril de cada uma dessas não vale uma tulipa das alemãs Erdinger e Franziskaner, ambas de trigo. Sabor e textura inigualáveis. E o copo Erdinger é o mais legal da minha prateleira.

Porém, como estudante quebrado, não é todo dia que posso degustar em tão alto nível. O normal é cair pra dentro da já citada Super Bock ou da também portuguesa Sagres, que não deixam a desejar. Quando muito, invisto em Carlsberg, dinamarquesa que, além de muito boa, me faz sonhar com suas promoções de levar um vivente à final da Eurocopa 2008.

Na categoria “Goles em Trânsito”, destaque para a suavidade da espanhola Estrella Galicia, (a)provada em Santiago de Compostela. Na Itália, pizza de prosciutto crudo casa perfeitamente com a birra. De frente pro mar do Algarve português, um brinde com a nacional Tagus, que não tem nada demais, mas valeu pelo ambiente. Ainda no Algarve, algo da já conhecida mexicana Corona, que com um limão no gargalo tem o seu lugar. Visitando a Terra da Rainha, muito da australiana Foster`s, mais barata nas lojas de indianos. E lá, claro, de pub em pub, é impossível que eu lembre todos os experimentos. Consigo citar a famosa Budweiser, tcheca, além das britânicas Carling e John Smiths, a primeira bem encorpada, a segunda um tanto quanto ácida.

Não tive o fermentado prazer, mas um amigo descreveu sua visita à fábrica da Guinness, em Dublin, com o mesmo brilho no olhar do garoto Charlie ao entrar na fábrica de Willy Wonka. Para breve, planejo uma viagem em que pretendo passar por Amsterdam e Praga. A República Tcheca tem o maior consumo do planeta de litros de cerveja por habitante e é lá que está a região da Boêmia, onde se produz a melhor cevada do mundo. Ou seja, sendo Praga bonita ou não, estarei satisfeito. Quanto a Amsterdam, expectativa pela visita à fábrica da Heineken, além, é claro, do contexto Amsterdânico.

Por fim, após tanta prosopopéia, me raciocino todo e concluo que na Europa podem até estar as melhores cervejas do mundo, mas nada se compara a “tomar uma” na Bahia. É onde posso encher o peito e dizer em bom tom: “Ô, Vitória (ou as variantes “Minha Pedra”, “Minha Corrente”, “Grande” e “Sacanagem”), traga aquela que você guardou pra tomar depois que fechar. Cú de foca, meu pai!”. Então, tomo alguns goles enquanto petisco um acarajé cortadinho com vatapá, vendo o sol mergulhar na Baía. Ah, “e se calhar”, diriam os portugas, com um grande amor massageando meu calcanhar.  

segunda-feira, 12 de maio de 2008

Futebol sem bola (parte I)

A tarefa era simples, acompanhar durante um fim de semana um time qualquer, sua rotina de treinamento, a movimentação da concentração e os bastidores de uma partida. Simples não fosse o fato de a equipe ser exclusivamente leiga no assunto futebol, para não mencionar o detalhe do olhar unicamente feminino, o que não quer dizer nada, mas no nosso caso não ajudou.

O esporte em questão é o mais praticado e reverenciado no mundo e não seria eu quem ficaria imune aos encantos da bola, sou torcedora, pouco fanática, displicente até. Sou Bahia desde não me lembro quando e sem razões claras. Acabamos na concentração do Vitória e vi que torço sim e muito, rodeada pelo rubro negro, meu lado tricolor sentiu cá seus incômodos.

Fazia calor nas redondezas do Parque Ecológico Canabrava, era sábado, 3 de maio, véspera da decisão do campeonato baiano. No caminho para o estádio Manoel Barradas, conhecido Barradão, descobrimos até o Jardim Botânico de Salvador, julgado inexistente até então. Reinaugurado em 1991, o Barradão está longe de ser um estádio de ponta, desses que a gente vê sediando jogos de Copa do Mundo, mas há de convir que é um espaço moderno e cumpre com as exigências da FIFA para realizar jogos internacionais. Quando chegamos, o treinamento acontecia atrás do campo oficial em três diferentes quadras: equipe principal treinando em uma, equipe de juniores treinando em outra e uns jogadores em separado. Confesso que imaginava tudo muito maior, da televisão parece que o campo é de proporções gigantescas, Mcluhan tinha razão.

O clima não parecia de véspera de decisão. Em treino coletivo titulares e reservas se enfrentavam numa partida descontraída e amistosa. Vanderson, volante da equipe profissional, em certa altura se machuca, “aqui foi besteira, o pessoal pega leve que amanhã tem jogo”, conta o atleta que revela que desde que entrou para o futebol perdeu a capacidade de torcedor e tornou-se da qualidade de jogador, “meu time é o do momento”.

O treino segue e o mundo do futebol vai se descortinando. Roque Mendes, assessor de comunicação do Vitória, conta mais: “a rotina aqui é dura, porque sim, há rotina, cada dia da semana os jogadores têm uma série pré-estabelecida de atividades, todo mundo acaba virando família mesmo, não tem como ser diferente, eles ficam concentrados às vezes três, quatro dias, passam mais tempo aqui do que em casa”.

Um carro pára, saem duas crianças e uma mulher. Filhas e esposa do zagueiro Marcelo Batatais que escapa por um momento do campo e se dirige ao estacionamento para ver a família. “É complicado ser esposa de jogador, é uma privação. Sempre estamos mudando, quando eu e as meninas começamos a nos acostumar, a conhecer algumas pessoas, temos que nos mudar novamente”, conta a mulher. “Eu tenho saudade de meu pai, tem dias que ele não vem em casa e quando ele joga e se machuca eu choro”, conta uma das filhas. “Sei que é complicado, mas o futebol foi uma boa oportunidade para mim e para minha família, posso ter uma boa qualidade de vida e dar isso às minhas filhas. Os contratos com os times são cada vez mais curtos e isso acaba refletindo nessa vida sem pouso certo, mas elas entendem. O tempo de carreira de um jogador é curto, a hora de dar o gás é agora ”, conta o jogador.

O meio-dia se aproxima, o time volta a treinar. Ivan Andrade, repórter da TV Bahia, chega e cumprimenta os jogadores - parece já ser de casa. Ao lado do campo de treinamento ele faz a passagem para o jornal que irá ao ar logo mais. Nos indica o jogador Rodrigão para conversarmos, diz que ele é “bom de papo”. O atacante se aproxima e faz juz à fama, a conversa com ele pode ser conferida no arquivo de vídeo.

Chega o meio-dia e o treino se encerra, mas ainda não acabou. É hora dos jogadores se recolherem e concentrarem antes da partida no dia seguinte contra o Itabuna. As matérias com a cobertura do domingo, bem como curiosidades e personagens interessantes, podem ser conferidas nas partes II e III de “Futebol sem bola”.  

domingo, 11 de maio de 2008

Cerveja e boa comida

Que o vinho tem seu lado gourmet todo mundo sabe. Um bom vinho, combinado a um bom prato determinado pode resultar numa excelente experiência gastronômica. A quantidade de someliers, confrarias, enólogos e cursos sobre vinhos e culinárias vem aumentando e conquistando sempre novos adeptos.
Porém, o que muita gente desconhece é o lado gourmet da velha e boa cerveja. Ela tem pode ser combinada com alta gastronomia, cervejólogos têm apresentado ao mundo essa nova potencialidade da cerveja, abrindo mais uma possibilidade de seu consumo.
Um post muito interessante sobre o assunto pode ser encontrado no blog de Marcelo Katsuki, no post do dia 7 de maio no link:

http://marcelokatsuki.folha.blog.uol.com.br/arch2008-05-04_2008-05-10.html