
A Cervejaria Petrópolis tentou, há algum tempo, sacudir o mercado das cervejas e lançou como estratégia de marketing o lacre nas latinhas de alumínio das suas bebidas. A iniciativa valeu e ajudou a empresa a atingir 8,6% de participação de mercado. O recente anúncio do Grupo Schincariol, que também adotará o lacre em toda a sua linha de produção, reaqueceu o debate sobre a medida.
As controvérsias apareceram desde que o Sindicato Nacional da Indústria da Cerveja e Associação Brasileira da Indústria de Refrigerantes (Abir) contestaram o benefício proporcionado pelo lacre mediante estudos elaborados pelo Centro de Tecnologia da Embalagem (Cetea), entidade sem fins lucrativos e mantida por empresas privadas. Por ordem judicial, a campanha alerta para o fato de o lacre de alumínio não ser garantia de higiene e recomendar que o consumidor limpe a lata antes de beber, está fora do ar desde o começo do ano. Por outro lado, os advogados da Petrópolis, que entraram com o recurso na Justiça solicitando a retirada da peça de propaganda e ganharam a liminar favorável, se apóiam em um estudo do laboratório de Biologia da Universidade de São Paulo (USP) que aponta vantagens de limpeza no uso do lacre.
A Ambev também se mostra contrária ao uso do selo, por acreditar que ele não agrega nenhuma vantagem nem para o consumidor nem para a empresa. Fato é que para lacrar suas latinhas, as cervejarias têm de comprar máquinas seladoras, que têm um ritmo de produção inferior ao das engarrafadoras. Enquanto as primeiras selam entre 50 e 60 mil latas por hora, as outras engarrafam 140 mil latas. Segundo o Sindicerv existem 50 projetos de lei na Assembléia Legislativa de vários Estados, propondo a obrigatoriedade do uso do lacre nas latas de cerveja. Agora é aguardar o desfecho nos meses vindouros.
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