
Mais um filme baiano. Não qualquer filme, em se tratando da combinação Jorge Amado e Sérgio Machado. A responsabilidade é grande: adaptar para o cinema o romance A Morte e A Morte de Quincas Berro Dágua, considerado por muitos - como João Ubaldo Ribeiro, Ferreira Goulart e Miltom Hatoum -, a grande obra prima do autor.
No prólogo da obra Vinícius de Moraes vai mais longe: “Saí da leitura dessa extraordinária novela com a mesma sensação que tive ao ler os grandes romances e novelas dos mestres russos do século 19, Puchkin, Dostoievski, Tolstoi e Gogol especialmente. Uma sensação de bem-estar físico e espiritual como só os prazeres do copo e da mesa, quando se está com sede e fome, e os da cama quando se ama”. Inegavelmente Jorge Amado é um dos mais populares escritores brasileiros e um dos grandes responsáveis pela criação de um imaginário brasileiro no mundo. Seus livros foram traduzidos em 55 países, em 49 idiomas.
O projeto é desafiador, mas o baiano Sérgio Machado, roteirista e diretor, não se intimida e quer oferecer uma perspectiva contemporânea sobre o universo jorgeamadiano através da construção de uma narrativa a partir do olhar de dentro, ressaltando o lado cotidiano da obra.
O longa, em fase de pré-produção, já está com roteiro em estágio final de conclusão e previsão de ser rodado na Bahia a partir do segundo semestre desse ano. Sérgio representa uma nova safra de diretores brasileiros. Diretor de curtas, séries e documentários premiados e parceiro da VideoFilmes, o baiano escreveu e dirigiu Cidade Baixa, longa comercializado em mais de 20 países e premiado na Edição 2005 do Festival de Cannes. Sobre o novo projeto, ele fala: “apesar de A Morte e A Morte de Quincas Berro Dágua ser um projeto de visibilidade e que pretende alcançar o grande público, este é também um projeto extremamente pessoal”.
Fundada em 1987 pelos diretores Walter Salles e João Moreira Salles, a VideoFilmes, produtora do longa, já conta com mais de 200 prêmios nacionais e internacionais para filmes como Central do Brasil, Cidade de Deus, Cidade Baixa, Terra Estrangeira, Lavoura Arcaica, dentre outros. O cenário para a produção é favorável, com o crescimento do cinema brasileiro. Segundo a Ancine (Agência Nacional do Cinema), só em 2007 foram produzidos 78 longas-metragens no país, com um incremento significativo da presença do cinema nacional em premiações e festivais internacionais.
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